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Acodome-se numa poltrona à sua escolha, plateia ou balcão, coxia ou lá para o meio, tanto dá, se quiser traga as pipocas. Seja bem aparecido aqui pelo NIMAS. A nossa sala de cinema -- logo o avisaram quando comprou o bilhete --, não passa filmes, antes exibe folhetos e cartazes promocionais dos ditos. O espólio pertence ao Arquivo Histórico Municipal da Lousã, há por lá centenas de prospectos, nós seleccionámos alguns papéis para os transformarmos em bytes. São imagens da primeira metade do século, mais um pouco, que raiamos 1960.

NIMAS não é só montra, muito mais. De lupa afiada, espiolhámos o labor dos publicitários, no afã de levar mais gente, muita gente ao cinema. Ao princípio, este ainda pedia desculpa por ter vindo ao mundo, havia quem não concordasse que Chaplin fosse o Shakespeare do cinema. É sempre assim, as artes velhas rezingam quando pressentem concorrência. Depois acomodam-se. Mas ainda hoje há quem prefira os livros ao cinema, e os jornais à Internet, e o cinema à televisão, e porque não perguntar porque razão não preferem tudo?!

Ao tempo, ir ao cinema era uma festa, falamos disso, também do deslumbramento sentido pelo desaguar, olhos dentro, da realidade longínqua. Ainda não havia o "Travel", África vendia-se pelo exotismo, pelas feras e maus selvagens. Falamos disso. Nos primórdios, as artes confundem-se com o meio, com o suporte que lhes dá vida. Deslumbram também por isso, "DOMINGO AO SONORO!", "DOMINGO AO SONORO!". Falamos disso, também do arco-íris em que se transformou a tela. A cor inebriava, carreguem nessa tinta que as pessoas gostam. Dos filmes de cobóis também, e de outros com muita porrada. A violência era cartaz sem eufemismos, os polícias do politicamente correcto ainda usavam fraldas, ao tempo.

A cor pedia paisagens de encanto, verdes eram os campos, azuis os mares e havia também a caridade, bilheteira a favor do Hospital de S. João, também de uma viúva cujo marido Deus levara em hora má. Portugal cantava-se nalguns filmes, heróis do mar, nobres fitas, actores valentes que alguns julgavam imortais. Havia argumentos escarrapachados logo no papel, noutros casos os homens do marketing só libertavam umas dicas, o resto é para ver no escurinho do cinema. O sucesso trazia estilo GUINESS, letras em néon berrante, milhares de figurantes, ou de metros de fita. Roberto Marinho ainda não começara as suas telenovelas, mas já havia quem fornecesse filmes em episódios, para ver à uma e ir dormir com final sabido, ou para voltar no dia seguinte.

Algumas bobines não traziam asas, vinham de barco das colónias, e o paquete por vezes atrasava. Falamos disso, ainda dos adjectivos, dos preços. Confrontámos cartazes de ontem com capas de hoje, e seleccionámos outras salas por onde navegar em mar de fitas, em mar da Net.

Senhoras e senhores

Meninos e Cavalheiros

o espectáculo vai começar

Inaugurado em 1998, NIMAS só poderia ser multiplex. Agradecemos que se dirijam ao hall de entrada para escolherem as fitas deste serão. Podem circular livremente entre as salas, não pagam mais por isso, o Murteira Nabo manda a factura no fim do mês. Este programa pode ser interrompido por qualquer motivo imprevisto, mas sempre, sempre alheio à nossa vontade. Iniciado o espectáculo e suspenso por caso de força maior -- golpe de Estado ou avaria no modem, entre outros --, a gerência não restitui o preço do bilhete.

[Hall]