free web hosting | free hosting | Business WebSite Hosting | Free Website Submission | shopping cart | php hosting

IMAGENS

Vista da Lousã - Jornal "O Século" 1-10-1899; des. Álvaro Lemos

A vila da Lousã, situada na base de um dos ramos da serra do mesmo nome, no distrito de Coimbra, é uma povoação antiga, mas de passado pouco conhecido, pelos escassos documentos que chegaram até nós.

É das mais formosas da província do Douro, e das mais bem fadadas pela natureza, que ali ostenta todas as suas galas; dela disse o eminente escritor M. Pinheiro Chagas: —"Poucas terras em Portugal se podem ufanar de estarem como que engastadas em tão esplendidas paisagens como a pequena vila da Lousã"; e, em verdade, assim é: uma serra altíssima, cortada por profundos vales donde se despenham torrentes que vêm fertilizar os campos numa bacia de mais de uma légua de diâmetro, junto a uma vegetação vigorosa, tudo concorre para, em certas épocas do ano, tornar aqueles sítios duma beleza encantadora.

Sabe-se, por documento directo e autentico (foral de D. Afonso Henriques dado ao Castelo de Arouce) que já existia, e tinha uma certa importância, nos princípios da primeira dinastia portuguesa. Não era no lugar onde hoje assenta, mas escondida no interior das serras a 2 quilómetros da actual vila, edificada no alto duma pequena colina, espécie de península, circundada pelo Arouce ou Arunce, ribeiro que nasce na mesma serra e agora é vulgarmente conhecido pelo nome de Ribeira de S. João.

Neste lugar, onde existiu a antiga povoação até ao século XIII ou XIV, encontra-se ainda uma parte do castelo e a sua torre de menagem com ameias, muito bem conservada, apesar do vandalismo dos naturais, que já por vezes o têm escavado em busca de tesouros escondidos.

Em vários pontos próximos vêem-se ainda ruínas de numerosas habitações.

Sobre a origem e fundação desta terra há versões diversas, sendo algumas mais ou menos lendárias.

Miguel Leitão de Andrade, historiador do século XVII, na sua "Miscelânea", diz que reinando em Colimbria (Condeixa-a-Velha) nos tempos de Sertório, Arunce, este, sendo derrotado em guerras e procurando lugar seguro para guardar sua filha e seus tesouros, construíra ou encontrara abandonado o castelo a que deu o seu nome e mais ao ribeiro, que ainda hoje o conserva.

De Arunce faz derivar o moderno nome da Lousã pelas modificações sucessivas que julga se deviam ter dado em razão do modo de pronunciar dos povos que a habituaram; assim, de Arunce ou Arouce passou a Alunce ou Alouce, depois a Aloçan, em seguida a Alouçam ou Louzam e finalmente a Louzaa, Louzaã e Louzan, ou Louzã, como agora se diz.

Conta mais Leitão de Andrade que, quando se conquistou o castelo aos mouros se encontrou nele pedaços de um livro muito velho que tratava e continha, em verso, a destruição de Espanha com a conquista dos Árabes. Deste poema apenas se puderam ler algumas quadras.

Bluteau diz que o castelo foi fundado em 1080 pelo conde D. Sesnando, o conquistador de Coimbra; e Brandão ("Monarchia Luzitana" liv. 8.º) afirma existir já este no tempo de D. Fernando, e que ele não fora mais do que o seu conquistador e reformador.

F. Diniz e Adrien Balbi ("Essai Statistique") querem que tivesse sido tomado aos árabes só em 1187, por D. Sancho I. Esta última opinião é de todas a menos aceitável, pois não é provável que, sendo a Lousã tão próximo de Coimbra, onde então era a corte, um Afonso I a deixasse em poder dos Árabes.

Diz também Miguel Leitão de Andrade que, sendo Coimbra a corte dos primeiros reis portugueses, os campos e matas da Lousã seriam muito frequentadas por ela e seriam para Coimbra o que hoje é Sintra para Lisboa; e que ali chegariam mesmo a habitar algumas princesas, e entre elas D. Mafalda. Atribui, pois, a uma destas ocasiões as célebres composições poéticas tão conhecidas na nossa literatura por cartas de Egas Moniz Coelho a D. Violante:

Ficaredes bos embora//Taom coitada//Que ei boime per hi fora//De longada.//Etc., etc...

Junto ao castelo vê-se a ermida do Senhor dos Aflitos que, segundo uma inscrição que Leitão de Andrade encontrou já muito gasta e falta de letras, foi mesquita dos mouros e D. Afonso Henriques a fez benzer em 1120 (era de César) dedicando o templo a S. Paio ou Pelayo.

 

As ermidas de S. João e da Senhora da Piedade

Na encosta fronteira ao castelo, ergue-se o pitoresco penhasco das Ermidas, adornado por 3 capelinhas que por sua alvura destacam do verde-negro da serra, e são, pela ordem ascendente, primeiro, a capela de S. João, que é a maior de todas e de construção antiga, simples e pobre em adornos; tem alpendre e as portas são ogivais; é dos fins do século XV e algumas imagens que tem também são muito antigas.

Foi talvez esta capela o oratório do ermitão, de que nos falam a tradição e alguns documentos.

Depois sobem-se alguns lanços de escada e encontra-se a capelinha do Senhor da Agonia, que tem por cima da porta toscamente gravada a data 1802, que deve ser o ano em que foi feita ou nela se fez algum reparo. Junto desta ao lado dum pequenino adro, eleva-se uma cruz de pedra de metro e meio de altura, tendo por baixo a seguinte inscrição:

Estas obras//Mandou fazer//O capitão Frc.º.//Barbosa natu//ral//d’esta Vila era de 1624.

Este Francisco Barbosa não foi o fundador, mas o reedificador ou construtor das escadas ou de alguma das capelas.

Mais 32 degraus e achamo-nos no cume do rochedo que termina o penhasco; aqui está edificada a capela da Senhora da Piedade que é objecto de especial devoção para os povos da Lousã e arredores. Esta capela foi inteiramente reformada pela viscondessa do Espinhal e ampliada, tendo-se para isso construído um paredão em volta, o que em grande parte destruiu a beleza natural do sítio.

Entre esta parte da serra e aquela em que está o Castelo, corre o Arouce, cujas margens comunicam entre si por meio de uma ponte de um só arco, que no fecho tem a seguinte inscrição, que o tempo nos não legou intacta:

Obra da//Devoção//A Nª Srª E//A S. João//1744

Junto à ponte encontra-se uma fonte de água fresquíssima.

 

Fábrica do papel

Próximo do castelo, no lugar em que as serras se começam a abrir para dar lugar aos campos, está edificada a fábrica, ou engenho de papel, como dantes se dizia, centro industrial que há já século e meio, sem interrupção, dá trabalho aos povos da Lousã.

Foi fundada em 1748, reinando D. João V, por um estrangeiro, auxiliado com subsídio do governo, sendo superintendente desta obra D. João Neto Arnaut.

 

Fábrica do Penedo - Jornal "O Século" 1-10-1899; des. Álvaro Lemos

Por muito tempo foi a melhor do país e a mais protegida dos governos que chegaram mesmo a proibir a exportação de trapo, em seu beneficio, por decreto de 19 de Abril de 1749, e depois, mais tarde, foram os seus empregados isentos dos serviços públicos, etc.

Não se resolvendo, porém, o fundador a pagar a dívida que não excedia a 2 contos e 800 mil réis, o governo tomou conta da fábrica, dando-lhe o Marquês de Pombal, que então guiava os destinos do país, notável impulso, sendo seu administrador João António de Amorim Viana.

Em 1821 foi vendida em hasta pública novamente a uns estrangeiros, pertenceu também a Pereira & C.ª, e em 1833 ficou sendo seu único proprietário João José de Lemos, rico negociante de Coimbra, que a deixou em testamento ao seu afilhado João Gonçalves de Lemos; e depois do falecimento deste ultimo, em 1879, continuou a fábrica sob a firma Viúva Lemos & Filhos até 1889 em que se constituiu em companhia com as outras fábricas de papel portuguesas, (Vale Maior, Tomar, etc.) com o nome de Companhia do Papel do Prado.

Foi por muitos anos esta fábrica a arrematante do papel para o selo, e ainda hoje pertence á nova companhia.

O trabalho, ali antigamente quase todo manual, está hoje completamente transformado, e é na maior parte mecânico. Chegou a ocupar uns 200 operários.

A força motora que exclusivamente se empregava era a água, mas já foi quase totalmente substituída pelo vapor, a que se deve o grande aumento de produção nestes últimos tempos, pois produz diariamente 1.800 a 2.000 quilos de papel.

É agora iluminada a luz eléctrica

 

A vila moderna

Da vila, no sítio onde actualmente existe, os mais antigos documentos que há. são do fim do século XIV; já neles se fala de Lousã e não de Arouce como nos do princípio da monarquia.

Sabe-se que a moderna povoação veio substituir Arouce, o que se depreende do que diz o foral dado por D. Manuel à Lousã em 25 de Outubro de 1513.

Deste foral de 1513 existem na Câmara da vila 2 exemplares, perfeitamente iguais e provavelmente outro na Torre do Tombo; tem iluminuras e onze folhas de pergaminho, tudo fortemente encadernado.

Também existe na mesma Câmara um traslado em português do foral dado a Arouce em Abril de 1151 e a que o de D. Manuel se refere.

Na vila há a notar alguns edifícios particulares, entre os quais sobressai o palácio dos Salazares, hoje pertencente ao Sr. João Antunes; foi acabado em 1818 e é dum estilo pouco definido.

Palácio dos Salazares- Jornal "O Século" 1-10-1899; des. Álvaro Lemos

 

Segundo a tradição que corre e que alguns escritores seguiram, deu-se na casa da família Salazar um facto curiosíssimo.Por ocasião da retirada de Massena depois da batalha do Buçaco, estavam os franceses aquartelados na Lousã e Massena hospedado em casa dos Salazares. Um dia, porém, em se preparavam para jantar vieram a toda a pressa informá-lo de que as tropas anglo-lusas lhe haviam atacado a retaguarda do exército e os franceses tinham sofrido o desastre de Foz de Arouce, a légua e meia da Lousã. Não quis ouvir mais nada aquele general e, lembrando-se do Buçaco, mandou logo tocar a reunir e marchar. Pouco tempo depois da retirada precipitada dos franceses, entraram as forças luso-britânicas; e Wellington, sentindo-se um pouco fatigado e com apetite, sentou-se á mesa de Salazar, onde comeu e mais a sua comitiva o jantar que estava preparado para Massena.

"Guardado está o bocado para quem o há-de comer."

A casa dos morgados do Casal, que está a cair em ruínas, é obra do século XVII e tem uma capela dedicada a Santa Rita, com algumas pinturas antigas.

A capela da Misericórdia que muitos dizem que foi particular, parece, pelo contrário ter sido das primeiras casas que houve dessa monumental instituição de beneficência, fundada pela ilustre D. Leonor de Lencastre, esposa de D. João II. Na porta tem a data de 1568, 70 anos depois da criação destes pios estabelecimentos, e ao lado uma escadaria de pedra com alpendre e campanário, tudo do século seguinte.

Capela da Misericórdia - Jornal "O Século" 1-10-1899; des. Álvaro Lemos

Tinha a vila um Pelourinho na praça, junto aos paços do Município e defronte da Igreja, que mais tarde foi transportado para a esquina da casa da Câmara, de onde há já muitos anos que desapareceu, não se sabendo o destino que levou.

Antiga Câmara Municipal e Torre da Igreja -  Jornal "O Século" 1-10-1899; des. Álvaro Lemos

Havia um juiz de fora, que o era também de Penela, juiz dos órfãos, escrivães, etc. Hoje é cabeça de comarca e de concelho.

Teve a Lousã duas companhias de ordenanças, com o seu capitão-mor, e um regimento de milícias, de que foi último comandante o coronel Salazar.

O tenente coronel deste regimento, Victório Teles, que fora nomeado coronel pela revolução liberal de 1828, foi uma das vítimas do governo absoluto, sendo enforcado no Porto no dia 7 de Maio de 1829.

Foram senhores da Lousã: João Afonso, bastardo de D. Dinis, legitimado em 1317 e degolado por ordem de seu irmão Afonso IV. O infante D. Pedro, duque de Coimbra, filho de D. João I e mártir de Alfarrobeira, tinha esta vila compreendida nos seus domínios. Pelo que diz uma inscrição da antiga igreja, também foram senhores da Lousã, Pedro Machado e sua mulher D. Inês de Gois.

Os últimos possuidores desta vila foram os duques de Aveiro, passando para o domínio da coroa em 1758, com a morte de D. José de Mascarenhas, vítima do rigoroso ministro de D. José. Mas, em 1765, este rei criou o título de conde da Lousã, de cuja família ainda existem representantes; hoje é puramente honorário.

Desta vila têm saído alguns varões ilustres, no século passado, os drs. João Neto Arnaud, José de Macedo e Simão Feio, que ocuparam os cargos de ministros, no serviço de el-rei; António Neto, que foi capitão de cavalos, Francisco Cabral, que foi comissário de cavalaria, Duarte Manuel Serra, que foi tenente-general na cidade de Lisboa, conhecedor de línguas e que, pela sua capacidade e competência, foi mandado acompanhar D. Catarina, rainha de Inglaterra e viúva de Carlos II, quando esta voltou a Portugal; seu pai José de Serra foi, depois de vários postos e grandes empregos, governador do Maranhão.

Nos tempos modernos também não se devem esquecer os nomes de D. Maria da Piedade Salazar (Viscondessa do Espinhal) e do comendador João Elisiário de Carvalho Montenegro, que ainda vive e a quem a Lousã deve não pequenas honras e benefícios.

 

Igreja da Lousã

A igreja matriz e sede da freguesia da Lousã, cujo orago é S. Silvestre, é um templo de construção moderna, e que veio substituir a velha e acanhada igreja do século XVII ou XVIII, que estava em ruínas.

 

.

Igreja Matriz - Jornal "O Século" 1-10-1899; des. Álvaro Lemos

Nesta obra se empenhou o rev.º bispo-conde desde 1872, até que, em 1883, a deu por concluída, vindo sua Ex.ª à Lousã inaugurar solenemente a nova igreja, onde celebrou de pontifical.

Apesar do bom estilo escolhido, está tão mal proporcionada e com tão mau gosto delineada, para um edifício religioso, que mais parece (guardado o devido respeito), um teatro do que uma igreja

A frente, como está feita, é destinada a ter uma só torre ou pavilhão para os sinos e relógio, ao meio, o que será difícil de construir de modo que se não torne desagradável à vista, nem atropele a arte, pois que para esse fim a frontaria é já demasiado estreita e alta.

Nas obras gastaram-se 15.200$000 reis. Para esta soma concorreram com alguns subsídios o cofre da Bula da Santa Cruzada, a Câmara Municipal e os donativos dos povos da Lousã. O governo deu apenas 1.200$000 reis por duas vezes.

Fizeram-se, ultimamente, o que muito embeleza o interior do templo uma tribuna e uns altares em obra de talha, a expensas do falecido visconde de Ferreira Pinto, natural desta vila, que nelas despendeu 3.000$000 de reis.

Lá está a lápide comemorativa da esmola do ilustre senhor, na parede do lado direito da capela-mor. É justo que não seja esquecido dos vindouros o seu nome nem o de seu tio, o rev.º prior da Lousã, que tanto tem trabalhado a bem desta freguesia e do esplendor do seu culto. Mas era ainda muito mais justo que defronte dessa lápide, ou noutro qualquer lugar, se colocasse uma singela recordação das obras da igreja em que se gastaram 15 contos e para que entraram grandes donativos de particulares como o da viscondessa do Espinhal com 2.000$000 reis, etc., e que atestasse e desse exemplo às futuras gerações, a que sacrifícios se não poupa um povo nobre e cristão.

Há nesta igreja duas boas imagens, antigas e de fina escultura: a de S. Silvestre e a de um Cristo de marfim.

 

Hospital de S. João

O Hospital que há nesta vila foi fundado em 1865 por iniciativa do sr. Montenegro e edificado com os donativos daquele senhor e de pessoas da Lousã, algumas delas residentes, ao tempo, no Brasil.

 

 

Hospital de S. João - Jornal "O Século" 1-10-1899; des. Álvaro Lemos

É um modesto edifício construído segundo as modernas condições higiénicas, bem situado e arejado, tendo capela e um jardim arborizado para passeio dos convalescentes.

No topo da fachada tem a estátua da caridade e, por, baixo, a inscrição que comemora a fundação deste estabelecimento.

Há na Lousã uma feira de gado nos dias 24 de cada mês, um mercado todos os domingos, e uma feira anual e festa em dia de S. João Baptista, para a qual concedeu licença D. João III, por alvará de 1537.

O teatro situado perto do hospital, é lhe um pouco anterior e também foi edificado por subscrição entre os principais cavalheiros da vila.

O caminho de ferro do Mondego, de Coimbra a Arganil, passava aqui na Lousã; mas as obras pararam há já um bom par de anos, e esta vila perdeu as esperanças de ver concluído este factor do progresso que tanto contribuiria para o aumento da sua indústria e comércio.

A escola do Conde de Ferreira desta vila, possui uma pequena biblioteca, que lhe foi oferecida pelo comendador Montenegro.

 

As primeiras Imagens

Vista da Lousã - 1867

Lousã, 1867

 

Vista da Lousã - c. 1876

Lousã, c. 1876

 

Vista da Lousã - c. 1900

Lousã, c. 1900

 

Vista da Lousã - c. 1950

Lousã, c. 1950

 

Fábrica do Penedo - 1892

Fábrica de Papel, 1892

 

Fábrica do Penedo - 1902

Fábrica de Papel, 1902

 

Rua da Viscondessa do Espinhal - 1860

Palácio dos Salazares com mansardas; Palácio Costa Mesquita (demolido); perspectiva da Capela da Misericórdia; antiga Torre da Igreja Matriz; antigo Paços Municipais. (1860)

 

Praça do Município - c. 1885

Praça do Município, c. 1885

 

Matriz

Igreja Matriz, em dia de N. Sra. da Nazaré

 

Matriz

A construção da Torre, c. 1922

 

Hospital - Laçamento da pedra fundamental

O lançamento da pedra fundamental (Hospital de S. João, 1866)

 

Comemoração da República na Lousã

Aspecto da comemoração da República na Lousã

 

Lousã Comercial e IndustrialLousã Comercial e IndustrialLousã Comercial e IndustrialLousã Comercial e IndustrialLousã Comercial e Industrial

 

Os Lugares da Freguesia da Lousã em Guerra

Por César Miranda Júnior — 1941

 

Papanata foi degradada

O Penedo foi de castigo

Foi Vale de Maceira p’ra cadeia

E o Padrão foi absolvido

Alfocheira deu uma batida

Ao Vale da Velha gaiteira

A Tapada foi a terceira

E a Favariça em seguida

As Poças que é divertida

Com os Ramalhais não quer nada

A Póvoa toda escamada

No Olival fez uma asneira

Por tanto bater na Ribeira

Papanata foi degradada

A Silveira teve medo

A Cerdeira se alterou

O Candal se preparou

Catarredor saiu do fraguedo

Vaqueirinho veio cedo

Talasnal de sapato e meia

Chiqueiro de barriga cheia

Casal Novo pôs-se a fugir

Por Vale Nogueira não acudir

Foi Vale de Maceira p´ra cadeia

 

Levantou-se as Fontaínhas

Contra o Regueiro armada

O Espinheiro à cacetada

Fez a Moita em farinhas

Os Cômoros a tocar gaitinhas

Na Ponte do Areal foi recebido

Porto da Reguenga atrevido

O Casal já desprezou

Cruz de Ferro se salvou

E o Penedo foi de castigo

Cabo do Soito sem ser por mal

Desafiou a Ponte Quadiz

Vale Domingos é que não quis

A Fórnea foi por igual

Vale de Neira tal e qual

O Picoto ficou esquecido

Eira de Calva atrevido

Cova do Lobo de boca aberta

Por os Pegos estar alerta

O Padrão foi absolvido